quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Grãos de Areia


Antes de começar, aviso que não há justificativas plausíveis para este hiato entre as publicações. Poderia dizer que estava em meu período de aprendizado, ou que o site às vezes não me ajuda, ou ainda que estava sem tempo algum.

Não seriam explicações, mas desculpas. E o Universo não está nem aí pro meu mimimi. Não existe o tentar: ou você faz ou não faz.




Ao texto!


Faço parte de alguns grupos que trazem reflexões constantes a seus integrantes. Não são os únicos, mas ajudam bastante. As reflexões mais óbvias são as basais da filosofia: Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos?

Eu sei que muitos esperam perguntas mais rebuscadas, já que estas se repetem ao longo da história, mas, acreditem-me quando digo que só estas já bastam para muitos. Perguntar-se quem é você e a quê veio é desconcertante, desestruturante e, às vezes, destruidor. Como toda obra necessária, o que restou deve ser reconstruído, seja aproveitando-se das ruínas ou começando do zero. E de novo. E de novo.

E o que é que eu tenho a ver com isso?


Só depende de você a resposta desta pergunta.

Acredito que todos podemos deixar o mundo um pouco melhor do que quando chegamos aqui. Que propósito nobre, não? Lindo! Fofíssimo!

MAS É MUITO DIFÍCIL, não é?
Vamos ter que dar uma de Ghandi ou de Madre Tereza aqui? Entrar para o time dos Super Bonzinhos?

Não é preciso tanto.
Todos nós temos nossas limitações óbvias. Você não pode gastar tempo que não possui nem doar dinheiro que não tem. Não adianta tentar ser palhaço para um grupo de crianças carentes se você não sabe contar piadas nem fazer malabarismo. Raramente adianta querer conseguir doações de seus vizinhos se você tem o carisma de uma porta.

Mas, sem dúvida, você faz algo muito bem. Algo que nem todos conseguem, e que de alguma forma pode ajudar outras pessoas.

Em geral, esta coisa é nossa profissão ou hobby.

E vou usar como?

Digamos que você é um bom profissional. Que tal utilizar este seu dom para servir aos outros, e não apenas o benefício próprio e o lucro?

Pense bem: para que serve um administrador? Para gerir uma empresa, não é?
Mas todo administrador pode ser mais que isso. Pode certificar-se de usar seus conhecimentos para uma melhor gestão e aproveitamento também dos recursos públicos. Pode implantar em sua empresa políticas de valorização humana e ambiental.

E um economista? Além de teorizar, acompanhar e prever oscilações na economia atual, pode tentar criar novos padrões, fugindo do preceito que rege a atual economia. Como assim? Hoje calculamos a riqueza de uma nação pela movimentação de dinheiro nela. Mas e se esse dinheiro for de dívida, como frequentemente é? Conta como se a economia estivesse excelente! Não é bizarro? Que tal um sistema econômico que qualifique países pela igualdade social?

E um médico? Ele pode ser mais humano ao ajudar as pessoas. Não basta prestar atenção às doenças, mas às pessoas. Ouvir e falar quando necessário. Recomendar os remédios das empresas éticas, e não as que o fornecem com amostras e dão viagens de presente. Podem oferecer seus préstimos gratuitamente quando estiverem de folga. Podem salvar pessoas que pagarão seus serviços em gratidão, não em moeda.

Um arquiteto pode negar projetos com objetivo exclusivo de amontoar o máximo de pessoas possíveis em um espaço, e sempre oferecer alternativas que garantam aos moradores melhor qualidade de vida. Podem apresentar projetos que valorizem o meio-ambiente, ao invés de derrubar árvores e prédios históricos centenários.

Um engenheiro pode negar-se a aprovar materiais de baixo custo quando perceber também baixa qualidade. O risco de perder o emprego é mais aceitável que arriscar a vida de dezenas ou centenas de pessoas apenas para garantir uma margem de lucro maior para a construtora.

Psicólogos podem auxiliar o CVV (Centro de Valorização da Vida), atender comunidades carentes em seus dias de folga, prestar real atenção em seus pacientes.


Estou usando exemplos de graduações, mas todos podemos fazer algo, qualquer coisa, pelos outros. Você pode ir à uma escola que esteja em reforma e pintar algumas cadeiras. Pode juntar um grupo de amigos e ler livros para crianças e jovens. Pode encenar uma peça de teatro com uma bela mensagem. Pode distribuir pequenos cartões de visita com a inscrição "Eu não preciso ser um velho amigo para ser feliz por você existir. Obrigado!".
Pode distribuir abraços e sorrisos no seu local de trabalho; pode ajudar vizinhos a resolver problemas; pode ajudar a reconciliar amigos e parentes; pode fazer um bebê sorrir; pode apenas ser simpático; pode abrir uma porta para alguém carregando pacotes; pode matar a fome de alguém...

Quem é você para me dizer o que fazer?

Eu sei que não faço tudo o que posso. Ainda falta muito a fazer.

Mas não podemos usar a hipocrisia como muleta. Por mais que eu não faça ainda tudo o que posso, isso não invalida a necessidade de fazermos algo.

E não precisamos mudar o mundo todo de uma vez só.
Comecemos pelos grãos de areia!

É pouco. É muito. É tudo!


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