quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Grãos de Areia


Antes de começar, aviso que não há justificativas plausíveis para este hiato entre as publicações. Poderia dizer que estava em meu período de aprendizado, ou que o site às vezes não me ajuda, ou ainda que estava sem tempo algum.

Não seriam explicações, mas desculpas. E o Universo não está nem aí pro meu mimimi. Não existe o tentar: ou você faz ou não faz.




Ao texto!


Faço parte de alguns grupos que trazem reflexões constantes a seus integrantes. Não são os únicos, mas ajudam bastante. As reflexões mais óbvias são as basais da filosofia: Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos?

Eu sei que muitos esperam perguntas mais rebuscadas, já que estas se repetem ao longo da história, mas, acreditem-me quando digo que só estas já bastam para muitos. Perguntar-se quem é você e a quê veio é desconcertante, desestruturante e, às vezes, destruidor. Como toda obra necessária, o que restou deve ser reconstruído, seja aproveitando-se das ruínas ou começando do zero. E de novo. E de novo.

E o que é que eu tenho a ver com isso?


Só depende de você a resposta desta pergunta.

Acredito que todos podemos deixar o mundo um pouco melhor do que quando chegamos aqui. Que propósito nobre, não? Lindo! Fofíssimo!

MAS É MUITO DIFÍCIL, não é?
Vamos ter que dar uma de Ghandi ou de Madre Tereza aqui? Entrar para o time dos Super Bonzinhos?

Não é preciso tanto.
Todos nós temos nossas limitações óbvias. Você não pode gastar tempo que não possui nem doar dinheiro que não tem. Não adianta tentar ser palhaço para um grupo de crianças carentes se você não sabe contar piadas nem fazer malabarismo. Raramente adianta querer conseguir doações de seus vizinhos se você tem o carisma de uma porta.

Mas, sem dúvida, você faz algo muito bem. Algo que nem todos conseguem, e que de alguma forma pode ajudar outras pessoas.

Em geral, esta coisa é nossa profissão ou hobby.

E vou usar como?

Digamos que você é um bom profissional. Que tal utilizar este seu dom para servir aos outros, e não apenas o benefício próprio e o lucro?

Pense bem: para que serve um administrador? Para gerir uma empresa, não é?
Mas todo administrador pode ser mais que isso. Pode certificar-se de usar seus conhecimentos para uma melhor gestão e aproveitamento também dos recursos públicos. Pode implantar em sua empresa políticas de valorização humana e ambiental.

E um economista? Além de teorizar, acompanhar e prever oscilações na economia atual, pode tentar criar novos padrões, fugindo do preceito que rege a atual economia. Como assim? Hoje calculamos a riqueza de uma nação pela movimentação de dinheiro nela. Mas e se esse dinheiro for de dívida, como frequentemente é? Conta como se a economia estivesse excelente! Não é bizarro? Que tal um sistema econômico que qualifique países pela igualdade social?

E um médico? Ele pode ser mais humano ao ajudar as pessoas. Não basta prestar atenção às doenças, mas às pessoas. Ouvir e falar quando necessário. Recomendar os remédios das empresas éticas, e não as que o fornecem com amostras e dão viagens de presente. Podem oferecer seus préstimos gratuitamente quando estiverem de folga. Podem salvar pessoas que pagarão seus serviços em gratidão, não em moeda.

Um arquiteto pode negar projetos com objetivo exclusivo de amontoar o máximo de pessoas possíveis em um espaço, e sempre oferecer alternativas que garantam aos moradores melhor qualidade de vida. Podem apresentar projetos que valorizem o meio-ambiente, ao invés de derrubar árvores e prédios históricos centenários.

Um engenheiro pode negar-se a aprovar materiais de baixo custo quando perceber também baixa qualidade. O risco de perder o emprego é mais aceitável que arriscar a vida de dezenas ou centenas de pessoas apenas para garantir uma margem de lucro maior para a construtora.

Psicólogos podem auxiliar o CVV (Centro de Valorização da Vida), atender comunidades carentes em seus dias de folga, prestar real atenção em seus pacientes.


Estou usando exemplos de graduações, mas todos podemos fazer algo, qualquer coisa, pelos outros. Você pode ir à uma escola que esteja em reforma e pintar algumas cadeiras. Pode juntar um grupo de amigos e ler livros para crianças e jovens. Pode encenar uma peça de teatro com uma bela mensagem. Pode distribuir pequenos cartões de visita com a inscrição "Eu não preciso ser um velho amigo para ser feliz por você existir. Obrigado!".
Pode distribuir abraços e sorrisos no seu local de trabalho; pode ajudar vizinhos a resolver problemas; pode ajudar a reconciliar amigos e parentes; pode fazer um bebê sorrir; pode apenas ser simpático; pode abrir uma porta para alguém carregando pacotes; pode matar a fome de alguém...

Quem é você para me dizer o que fazer?

Eu sei que não faço tudo o que posso. Ainda falta muito a fazer.

Mas não podemos usar a hipocrisia como muleta. Por mais que eu não faça ainda tudo o que posso, isso não invalida a necessidade de fazermos algo.

E não precisamos mudar o mundo todo de uma vez só.
Comecemos pelos grãos de areia!

É pouco. É muito. É tudo!


A filósofa

Este texto foi escrito há algum tempo, com o propósito de despertar a curiosidade de algumas pessoas quanto à sua própria natureza. Espero que gostem!


A Filósofa


Era seu 15º aniversário. Ficou deitada na cama, com um feriado livrando-a de ir ao colégio. Mas não havia muita razão para comemorar. Não, ela não perdeu ninguém. Seu pai deveria estar lavando o carro e sua mãe estava dando um banho de sol em seu irmão no jardim do prédio. Era querida pelas amigas no colégio, não era má aluna e nem má filha. Mas algo parecia errado.
Na verdade, esse era um sentimento constante, de que algo estava errado. Pelo ritmo que vivia, sempre empurrava a reflexão sobre isso para quando “desse tempo”. Baboseira. Nunca havia tempo, então ela resolveu que seria hoje. Era como um sentimento de tristeza, um vazio que não poderia ser preenchido por compras, sentimentos ou uma conversa com a melhor amiga. Ela sentia-se sem propósito.
Engraçada essa palavra surgir agora: propósito. Mas como poderia isso fazer falta se ela nunca o teve antes? Será que é isso que significa sair da infância? Mas logo agora, já quase adulta? E que propósito seria esse? As perguntas da aula de filosofia sempre apareciam em sua mente: Quem somos? Para que viemos? Para onde vamos?
Perguntas que sempre pareceram coisa de desocupados começavam a incomodá-la. Ela sempre achava um absurdo fazer perguntas assim. Ficar procurando respostas pra perguntas que não têm resposta. Além do mais, como ela responderia por toda a humanidade “Quem somos”? Ela jamais teria essa capacidade… Mas poderia responder por ela. Quem sou eu?

“Ora quem sou eu! Meu nome é… Não. Eu não sou meu nome. Há inúmeras meninas no mundo com o mesmo nome que eu, então não posso ser apenas meu nome. Também não sou apenas filha de meus pais, pois meu irmão também é. Não sou apenas cidadã de minha cidade ou mais um ser humano. Eu, com certeza, sou mais especial que isso… Não sou? Ah, tenho que ser! Tenho vontade própria, mesmo às vezes obedecendo aos meus pais. Tomo decisões, me apaixono (e como!) e converso com outras pessoas. Eu sou eu e não apenas mais um.

Também não sou só meu corpo, embora alguns colegas achem que sim. Se fosse, mesmo com cérebro, seria uma alienada, acho. Maria-vai-com-as-outras ou uma formiga. Sei lá, acho que tem alguma coisa que serve pra dizer que eu sou eu. Não é só questão do cérebro, ali, a massa cinzenta. Nem algo dentro, porque acredito que não pode ser tirado. E também não vou dizer que é espírito, porque nem sei se acredito nessas coisas. Mas, sem dúvida, não é material.

Devo ser uma ideia. Será? “Eu me chamar de eu” é uma ideia ou um pensamento? Então sou pensamento. Mas pensamento meu ou de outra pessoa? Será que sou uma ilusão? Não, acho que não. Sou sólida demais pra ser uma ilusão. E se for pra ser pensamento, que seja na cabeça do… Ideia besta. Não, não. Se sou pensamento, sou pensamento MEU! E tenho dito!
Até que faz sentido, dizer que sou pensamento. Quando acho que estou feia, acabo saindo de casa toda desarrumada. Quando estou de bom humor, tudo parece mais fácil. Quando escuto uma boa música, até os pelos do corpo arrepiam. E se estou acompanhada então, nem se fala! Será que sou mesmo resultado do que penso sobre mim? Será que é daí que vem meu nervosismo quando vou falar na frente da sala? Será que é porque acho que não sou capaz e porque vão rir de mim?

Mas se isso for verdade… Basta pensar para ser verdade? Acho que além de pensar, tenho que me convencer. Mais do que convencer, tenho que me comportar desse jeito. Será que dá pra ter tanto autocontrole assim? Tanta gente famosa, sem pudor nenhum, falando em público as maiores besteiras. Então não sou só o que penso, sou também o que falo e faço?
Ora! Se eu me convenço que sou uma boa cantora, eu não viro uma cantora de uma hora para outra. Quando me convenço, vou atrás de professores, de aprender tudo o que preciso. Virar cantora, no final, é resultado. Mas resultado do meu pensamento e das minhas ações.
Mas… Mas eu não quero ser cantora. Eu não sei nem o que eu quero!
Poxa, não sei nem pra quê eu nasci! Eu vim ao mundo só pra nascer, crescer, ter filhos e morrer? Que grande objetivo!

Se eu fosse perguntar, mamãe ia dizer que nasci de um lindo ato de amor (de novo). Enfim… Poupe-me dos detalhes. Mas qual o objetivo deles ao me terem como filha? Não podia ser nada muito específico, já que eu poderia não ser eu (!). Companhia? Passar os genes? Não, deve existir algo maior. Por que eles nasceram então? E os pais deles? Se eu pudesse perguntar pros ancestrais de nossos ancestrais, o que eles diriam?

Acho que voltaria aos unicelulares para ter resposta. Eu ia chegar para o primeiro ser vivo, unicelular, e perguntar: Toda a comida que você precisa no mundo só pra você… Para quê se multiplicar? Não basta ser você, tem que fazer cópias, mais vocês? Eita! Imagine o primeiro ser. Não tinha inteligência ou sentimentos para sentir-se sozinho nem decidir se multiplicar. Simplesmente aconteceu. Mas por quê? Mesmo que tenha sido um acidente, porque continuaram?
Eu acredito muito no acaso, mas desde que seja comprovado. Se houve o início do universo e, bilhões de anos depois, o aparecimento de seres, realmente deve ter sido um acaso, um grande acidente. E uma série de acidentes foi surgindo, sendo aprimorados, multiplicados e eliminados. E aqui estamos nós.
Somos uma série de acidentes? Acidentes cada vez melhores ou melhor adaptados? Por quê? Resultados de leis da física e da química, numa eterna brincadeira?
É isso então? Se eu sou filha da física e da química, dos átomos e das interações… Pera, tá ficando confuso. Tenho que voltar ainda antes do primeiro ser vivo. Tenho que ver o início dos tempos.”

Ela se levantou e foi buscar um dos livros de física que viu na biblioteca do pai. “Vamos ver: representação do universo… Relatividade… Espaço curvo… Aqui! Big bang! Por que física tem que ter esses termos tão difíceis? Partículas e anti-partículas, quarks e pósitrons… Ok, deixe-me ver se entendi: não existia nada como conhecemos, apenas possibilidades, partículas subatômicas. Com as partículas, surgem os primeiros átomos e o Big Bang e, a partir do primeiro átomo surgiram todos os outros. E esses átomos foram se separando e se juntando, se transformando e virando outros elementos.
Então tudo surgiu das partículas, inclusive todos os diferentes elementos, todos os objetos e todos os seres vivos.

Posso dizer então que tudo teve um mesmo início? Será que as religiões estão erradas ao dizerem que todos viemos de uma mesma mãe ou um mesmo pai? É a visão deles, acho. Não está errada, apesar dos floreios… Por falar em religião, mamãe falou uma vez que São Francisco chamava o sol, a lua e os animais de irmãos. Acho que ele não estava errado, suponho.
Deve ser uma relação mais que forte perceber-se irmão de tudo, não é? Acho que mais que irmãos. Quando paro pra pensar, mesmo minhas células são feitas de átomos que pertenciam aos meus alimentos, que se alimentaram de outros nutrientes. Mas tudo veio dos mesmos átomos. O ar que eu respirei agora há pouco já está em outro lugar, sendo respirado por outra pessoa ou animal ou planta. Parte do oxigênio que correu por mim mas que não foi aproveitado vai sê-lo por alguém que precisa. Pelo menos um átomo que foi meu vai pertencer à outra pessoa.
Mesmos átomos, mesma origem… Nós não somos irmãos! Nós somos um só! É um só universo, pelo menos que eu possa enxergar. E mesmo nesse universo, eu sou parte de um todo. Com minha individualidade, mas sou parte do todo! Será que todo mundo pensa nisso?

Pensando nas guerras, na fome, nos desmatamentos, no massacre de pessoas e animais, acho que não. Se todos parássemos pra pensar que somos partes de um todo, iríamos notar as besteiras que fazemos. Reconheço que é difícil ir pisando em ovos para não ofender as outras pessoas, tendo que ter cuidado para não criar más relações com os outros seres.
Já imaginou um pâncreas com raiva do intestino? Ou um estômago com raiva do cérebro? Se eles entram em confronto, mesmo o pâncreas ‘vencendo’, o corpo, como um todo, perde e sente dor. Será que estamos abertos a sentir a dor do universo? Percebermos o impacto de cada coisa que fazemos?
Nós somos muito egoístas mesmo… EU sou muito egoísta! Caramba, a quantidade de coisas erradas que fiz, só pra meu prazer ou pra satisfazer vontades. Poxa, quando penso assim, fico até triste do exemplo que dou pro meu irmãozinho…

Será que passar por isso não é necessário? Eu jamais teria chegado às conclusões que cheguei se não tivesse feito as coisas erradas que fiz. Li há algum tempo uma frase que faz sentido: o inteligente aprende com os próprios erros, o sábio aprende também com os dos outros. Acho que todos passamos por aprendizados e cabe a nós percebermos as lições. Quando estamos abertos a sentir a dor do universo é que sabemos o impacto de nossas ações e, quando sabemos o impacto, as praticamos mais ou menos. Se algo é bom, não apenas para mim, mas para todos, devo fazer mais. Se algo é ruim, pra quem quer que seja, devo deixar de fazer. Acho que eu tive até que fazer algumas dessas coisas ruins para saber o que não fazer. Agora que aprendi a lição…
É pra isso que serve ter filhos então? Foi pra isso que o primeiro ser unicelular se multiplicou? Para fazer uma versão melhor de si? Com certeza sou bem diferente do primeiro ser unicelular, e um pouco diferente de meus pais. Deve ser esse então nosso objetivo comum: nos tornarmos melhores e mais conscientes. Percebermos que somos todos partes de um só universo e, finalmente, que nossas ações interferem diretamente sobre os outros. Quem sabe até vivermos como um só? Nossa! Sentir-se parte do todo!

Bom, esse deve ser o objetivo de ter filhos. Acho que alguns filósofos já devem ter falado algo assim. Se esse é o objetivo de todos os seres humanos, qual o meu? O que EU tenho que fazer? Não vou esperar ter filhos pra servir de alguma coisa! Sem dúvidas deve ter algo que posso começar a fazer hoje, agora! Hum…
Assim como um olho tem sua função, que é diferente da função do ouvido, eu também devo ter uma em que sou especialista. Deve ter algo em mim, alguma qualidade ou capacidade, que me ajude a definir minha função. O que eu posso fazer para ajudar outras pessoas a perceberem o mesmo que eu e serem também melhores do que sou?
Decidi!
Vou ser filósofa!

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Deus não existe... Existe?


Bem vindos ao vespeiro-mor das culturas.

Mas antes, permitam-me deixar claro de que sim, já acreditei no cristianismo (com todos seus sacramentos, menos extrema unção e ordenação, por motivos óbvios) mas também já acreditei no ateísmo. E já explico o porquê de os colocar no mesmo nível.


Aceitemos por agora o argumento que Deus não existe, ok? Prossigamos então.

As religiões servem pra quê mesmo?

Já falei num post anterior como surgiram as religiões e como elas estão sendo utilizadas (infelizmente). Mas cometi a gafe de não dizer propriamente para que servem.

E elas servem para...
Rufem os tambores!

.
.
.

(Pausa para momento dramático)

.
.
.

Pra nos levar a Deus!



Ta daaaaah!

Hum... Você parece despontado(a).
Não fique. A resposta em si é completa, mas não é clara o suficiente.

Todas as religiões buscam, mesmo sem saber, Deus. Não ouso dizer que o deus cristão é o mesmo deus muçulmano. Isso seria uma afronta e desrespeito para ambas as religiões. Não é o mesmo deus. Um é representado por um velho, e o outro sequer pode ser representado graficamente.

Mas se acabei de dizer que Deus não existe e daí jogo essa de que as religiões levam a Deus? Que baboseira é essa?

E neste canto do ringue...

Pra começo de conversa, existem dois tipos de ateus:

- Os ateus anti-deus são aqueles que já foram religiosos e por algum motivo "despertaram". Em sua ira com a crença que não lhes basta, negam veementemente o deus que não os proveu. Eles não são ateus de verdade, porque acreditam que há algo superior mas se negam. Com o tempo, a maioria vira agnóstico, acreditando que não é possível saber se deus existe ou não.

- Os ateus de raiz. São os caras que sequer permitem pensar na possibilidade de uma entidade superior. Sua crença na inexistência de deus é tão forte que chegam a ser tão ou mais fanáticos que os xiitas religiosos (muçulmanos ou não).


Como exemplo da guerra dos fanáticos ateus contra os fanáticos religiosos, temos padres pedindo a volta da bíblia como livro obrigatório nas escolas... E os ateus aceitando, apenas com a condição de também terem pregada sua religião, a crença no Monstro Spaghetti Voador, que consideram tão válida quanto. E não deixa de ser!




Fim do primeiro round


Então chegamos em um impasse. Não dá pra simplesmente provar a existência ou a inexistência de seres ultra-superiores capazes de criar universos.

Por favor, percebam que não estou citando textos nem de um lado nem de outro para coisas como a criação do universo aqui. Até porque as versões dos ateus são teorias e as religiosas são simbólicas.


Então por quê dizer que deus não existe?


Os ateus não estão errados ao concordarem com a opinião de Stephen Hawking. Pra quem quer um resumão do vídeo, ele segue as principais teorias atuais até a criação do universo e do tempo e, baseado nestes preceitos, alega que deus não poderia criar o universo, pois não havia o tempo antes disso.

Soa verdadeiro mesmo. Mas o fato de deus não existir não importa.



Mas hein?


Os deuses das religiões são símbolos. Assim como o pi ou o lambda, os deuses das religiões são símbolos de um conjunto de idéias complexas que possuem significado.

Pense um minuto: o que é o pi de uma equação? É uma proporção matemática constante correlacionando perímetro, circunferência e diâmetro de um círculo. Não é só um caractere.
Da mesma forma, a deusa Bast não era só uma mulher com cabeça de gato. Deve haver um motivo pra isso, não? E há.

Os repetitivos erros de interpretação das religiões faz com que fiéis (e infiéis) acreditem que é para crer na versão literal de seus deuses, e isso não poderia estar mais distante da realidade. A Bíblia não quer que você aceite deus como um arbusto pegando fogo ou um velho de barbas brancas. O conceito de deus é muito maior que esse, e estas figuras são meramente para facilitar a aprendizagem de uma mensagem.


Então pra que mentir?

Mentir é uma palavra pesada, mas serve. O intuito inicial nunca foi mentir, mas facilitar a compreensão.

Pensa comigo: você tem uma série de preceitos, ritos, cânticos e códigos. Todos são longos e difíceis de guardar. No tempo e lugar onde você vive, não há ainda a escrita ou ela ainda não é comum. O que você faz para não perder este conhecimento?

Exatamente! Você conta estórias!

Quer ver uma pessoa aprender algo? Adicione um pouco de emoção e utilize-se de símbolos para que ela memorize detalhes. O crocodilo-do-Nilo, que vive no rio que sustentou toda uma nação. A serpente que aceita seu veneno como parte de sua natureza.

É tão verdade que boa parte dos textos religiosos envolvem romances, dramas, magia, sexo, paixão... E são lindos de serem lidos e interpretados.


Mas compreender o quê, se deus não existe?

Os ateus dizem que deus não existe. Mas, assim como a maior parte dos religiosos, eles acham que deus é uma figura, uma entidade. Se fosse o caso, seria uma criação. E se fosse, de quem seria?

Mas deus não é uma criatura. Não possui identidade. Não está em lugar algum, nem mesmo no mundo das idéias. Deus não é uma forma de pensamento e, principalmente: Deus não é tudo.


DEUS É O TODO. E O NADA.

Ele é a existência e a não existência, o alfa e o ômega, todos os multiversos, a lei da gravidade, as equações matemáticas... Deus somos nós, o que há e não há dentro de nós, o bem e o mal (assim como seus diferentes conceitos).

Por isso digo: Deus não existe. Deus É.

Daí a Bíblia dizer que Deus é verbo. Definí-lo é restringí-lo.


Se o tempo tomou forma e as leis da física existem, é porque são parte dele. Assim como eu e você.

Na definição ocultista, Deus é o Princípio Incriado e Criador, ou seja, um princípio (não necessariamente um fato) que não possui origem, mas que criou tudo o que existe. Encaixa perfeitamente na concepção religiosa das diversas religiões da mesma forma que na Teoria do Big Bang.


O problema é que religiosos e ateus discutem símbolos de algo muito maior do que são capazes de imaginar, e suas mentes viciadas os fazem ver apenas parte dEle. Os religiosos vêem o princípio criador, e os ateus vêem suas leis em funcionamento (mesmo sem saber porquê tudo veio a existir).

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Saúde para quem... Pode?


No final do ano passado (2010) saiu, numa mínima nota de rodapé, o primeiro caso de cura da AIDS. O tratamento foi efetuado em 2007, mas a confirmação científica se deu em dezembro (duvida? Pois leia aqui, aqui e aqui). As notícias mal circularam nos meses seguintes e, a esta altura do ano, ninguém sequer fala mais. Pode ser para evitar "estouros" de pacientes com falsas esperanças. É, pode. Mas aqueles coquetéis que os pacientes devem tomar são bem caros, não? Muito lucrativos, eu diria.

Por falar em dinheiro, insulina, tratamentos e equipamentos para diabéticos também estão sendo uma fonte de renda agradável para muitos, não? De medidores de glicose a pomadas, há tanto dinheiro a ser ganho... Enquanto isso, nada de cura ainda, não é? Estranho ninguém apoiar experiência com células tronco no pâncreas ou clonagem de órgãos.

Ontem assisti uma excelente palestra de um urologista, e vi algo raríssimo acontecendo: apesar de ele ter vendido seu peixe, comentando sobre reposições hormonais masculinas e drogas para disfunções eréteis, ele foi enfático ao dizer que o melhor tratamento são exercícios físicos e hábitos alimentares e comportamentais saudáveis. Mais do que qualquer outra coisa.

Na verdade, quem se aprofunda realmente nas causas de cada uma das doenças vai perceber que mais de 96% delas provém dos maus hábitos e sedentarismo. Mesmo as doenças tidas como herança genética são apenas desenvolvidas em um "ambiente" favorável. Se seu pai teve doença cardíaca mas você cuida da sua alimentação, dorme bem, possui uma boa válvula de escape psicoemocional, tem vida sexual saudável e faz exercícios físicos regulares, relaxe e faça apenas check ups periódicos.

Redes de pensamentos

Lembram quando falei sobre as redes de pensamentos?
Pois é, elas de novo. Hábitos alimentares saudáveis evitariam diversas doenças, realmente. Além disso, a ausência de excessos poria em forma boa parte da humanidade, provendo o restante faminto com a comida que necessita. Isto é, se fôssemos igualitários, honestos e fraternos. Ainda falta um pouco de chão para isso, não é?

Aliás, uma melhor alimentação reduziria, e muito, o consumo de carnes. Isto diminuiria a necessidade da agropecuária expansiva, permitindo uma melhor distribuição de terra e, consequentemente, melhor alimentação para os que praticam agricultura de subsistência. Inclusive povoados e tribos indígenas teriam seus limites de terra menos desrespeitados.

Com a população com uma melhor saúde em geral, os hospitais ficariam desafogados e, ao invés de fazer pontes de safena e operações de redução de estômago todos os dias, os médicos teriam condições de atender um número maior de pessoas de baixa renda, com as mais diversas necessidades. Planos de saúde seriam muito mais baratos, assim como os remédios oferecidos.

Com menor necessidade de hospitais, os recursos poderiam ser gastos com pesquisas médicas e farmacêuticas, visando encontrar formas mais naturais e baratas de curar enfermidades. Ora, com o auxílio de curandeiras e pajés de tribos não invadidas, pode até ser que um dia o povo branco descubra que o remédio para o câncer está numa planta amazônica (duvida? Aqui, aqui e aqui).
[Ah, ironia, essa menina levada...]

Tudo isso apenas comendo melhor.

Vou parando por aqui apenas para deixar a ponta solta necessária para um próximo texto.

Quem quiser mais informações sobre saúde no mundo, recomendo Sicko, Vaccination: The Hidden Truth assim como diversos outros bons documentários. Acredito que, em breve, vou colocar uma listinha aqui dos nomes e onde conseguir.

Aton.·.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

TEXTO CENSURADO

Há algum tempo, resolvi tentar entender o sistema de censura dos filmes Hollywoodianos. Enquanto assistia pessoas sendo dilaceradas para proteger o interesse de alguns poucos endinheirados sentados em suas poltronas (todos os filmes de guerra, mas em especial "O Resgate do Soldado Ryan"), sob uma censura de 14 anos, não pude assistir "Meninos não choram", sob censura de 16 anos, pois possuía cenas de... Sexo?

Deixe-me ver se entendi: tudo bem ver um homem gritando freneticamente ao ter suas vísceras espalhadas por uma praia, mas ver uma cena onde uma mulher atinge o orgasmo numa relação de confiança e respeito com outra é errado?

Não vou dar trela às feministas, até porque tenho sérios problemas com "istas" e afins (racistas, nazistas, machistas, progressistas, etc.), mas é bem verdade que nosso modelo cultural paternalista (!!!) é responsável por termos tantos tabus ao falar de sexo e nenhum ao falar de violência. Você pára pra assistir uma briga de facas na rua, mas se vê um casal indo pra segunda base, já chama a polícia.

Em que momento de nossa história cenas de violência tornaram-se mais toleráveis que cenas de sexo?

No final do século passado, Milo Manara, conhecido quadrinista de diversas estórias, especialmente as mais picantes, lançou um livro chamado "Bolero". Frente a um incerto novo milênio, depois do século onde foram inventados a TV e a bomba atômica, ele afirma que seres humanos, desde sua gênese, só fizeram três coisas: sexo, matar e trocar de roupa. Como exemplo, lançou o livro que tomei a liberdade de, descaradamente, copiar abaixo boa parte. Ele termina dizendo: "Sei que este livro vai ser proibido em vários países e, infelizmente, não será pelas cenas de violência".



























Qual não foi minha surpresa que, há alguns dias, André Dahmer tenha postado esta tirinha no site dos Malvados:



Desta vez, não vou dizer (mais de) minhas conclusões aqui. Deixo-vos a liberdade de pensarem à vontade em seus próprios valores e no que é mais aceitável para você: morte ou sexo.

Boa sorte!


Aton.·.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Comparação de Direitos



Certa vez, fui comprar um celular em uma loja. Estava precisando, já que o meu estava quebrado. Demorei 4 horas em seis lojas diferentes para escolher qual queria, e meu perfeccionismo, não satisfeito, fez-me exigir da vendedora um celular que ainda estivesse lacrado em sua caixa.
Celular pago, nota fiscal recebida. Vou-me feliz pra casa dar a primeira carga do meu mais novo brinquedo.

Ao chegar em casa e abrir a caixa, noto que o botão de ligar o celular está fora de seu lugar. Ao tentar apertá-lo ele salta, deixando à mostra parte do painel. Nem titubeei: amanhã troco.

No dia seguinte, voltei à loja, já que estava na garantia e tudo o mais. Falei do problema para a vendedora e, sem nem sequer olhar para o celular, ela me disse que seria impossível trocar o celular, pois provavelmente teria sido culpa minha (mau uso) e, portanto, eu não teria direito à troca. Ela recusou-se veementemente a sequer olhar o celular.

Chegou outro cliente atrás de mim, perguntou-me o que estava acontecendo. Quando fui começar a explicar, ele tratou de dizer que eu estava atrapalhando o atendimento, que ele estava esperando já há algum tempo e que não poderia ser prejudicado por eu não conseguir resolver meu problema. Novamente tentei explicar, mas ele sequer me deu ouvidos. Chamou-me de vagabundo e disse que meus problemas não tinham nada a ver com ele, e que ele não poderia ser prejudicado por um idiota que quer "seus direitos". Até as aspas ele gesticulou.

Tentei explicar-lhe sobre o código do consumidor, mas vi que ele fez-se de desentendido e não me deu o menor apoio. Aliás, insultava-me a plenos pulmões, por estar atrapalhando a vida dele.

A vendedora manteve-se da mesma forma e todos os meus discursos sobre o direito do consumidor foram em vão. Poxa, pelo menos poderia averiguar pra ver se eu tinha quebrado ou não o celular!

Resultado: depois de horas sendo chamado de vagabundo e tendo meus direitos desrespeitados de todas as formas, calei-me. Por fim, a vendedora passou uma fita adesiva prendendo o botão no lugar precariamente, ordenou que eu me desse por satisfeito e me despachou.

.
.
.

Imagino que você, leitor, esteja indignado como isso tudo acabou, não? Pois bem. Este relato é baseado em fatos reais, mas não estou falando da compra de celulares.

Substitua a palavra vendedora por patrões e você vai ter uma noção do que acontece a todos os funcionários que têm seus direitos violados e tentam fazer greve.

Fui bancário e todos os anos era desta forma. Lidei com greve dos correios, dos professores da UECE... Em todos os lugares, "as vendedoras" recusam-se a saber sobre o problema e sequer olham pra ele. Enquanto isso, os clientes, usuários ou concidadãos xingam com verve pessoas como eles que lutam por direitos garantidos por lei.

Pois é: enquanto não somos nós a termos os direitos violados, danem-se os outros, certo?

Conheça as causas, apóie se fizer sentido, lute juntamente aos injustiçados. E eles poderão fazer o mesmo por você quando for sua vez.



[]'s

Aton .·.